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Archive for 23 de janeiro de 2008

No povoado de 1.500 habitantes do município de Ribeirópolis, Sergipe, o empresário João Carlos Paes Mendonça conduz um grupo de amigos pernambucanos para ver o resultado das suas iniciativas de empreendedor cívico. Todos os idosos necessitados de atenção e todas as crianças até 14 anos de Serra do Machado são atendidos pela Fundação Pedro Paes Mendonça, financiada pelo Grupo JCPM. A manutenção das escolas, do hospital e do abrigo de velhos consome 2 milhões de reais/ano, o equivalente a 25% de tudo que o município de Ribeirópolis arrecada com receitas próprias e transferências.

Depois da bênção na missa do padroeiro São Sebastião, de visitar o asilo e hospital de limpeza e organização impecáveis (graças às freirinhas portuguesas que se mudaram para Serra do Machado com cara, sotaque, coragem e dedicação), de nos comovermos com o estímulo à leitura das crianças nas escolinhas (engenhoso sistema de incentivo — ver foto) e de visitar o local onde começa a construção de 65 casas subsidiadas pelo empresário, fomos conduzidos por um ansioso João Carlos para ver onde tudo começou: o lugar quase intacto da primeira bodega de Pedro Paes Mendonça, seu pai, na parte da frente da sua casa.

Foi aí que “caiu a ficha”, pelo menos pra mim: João Carlos queria nos mostrar o tesouro do arco-íris da sua infância! Eram grandes potes semi-enterrados posicionados nas biqueiras do telhado da casa. Diz a lenda irlandesa que João, menino pobre, procurava ouro no pote ao final do arco-íris para ajudar a mãe viúva. Com muita persistência, não se deixou enganar pelo anãozinho protetor do tesouro e conseguiu encontrar o ouro.

Os potes de João Carlos Paes Mendonça tinham um outro tipo de substância preciosa: a água da chuva tão necessária neste povoado do sertão sergipano. Num movimento em círculos com a mão, o empresário mostrava onde caía a água da biqueira. Talvez só quem tenha tomado banho de chuva no sertão possa entender porque os seus olhos brilhavam.

Pois foi assim que vim a perceber a razão de tanta dedicação à Serra do Machado. Só podia ser isso: nada supera as lembranças da infância como energia mobilizadora do empreendedorismo cívico. “Seu” João Carlos bebeu da água da chuva na casa paterna e nunca vai esquecer disso. A memória afetiva desses momentos inesquecíveis se transforma na dedicação duradoura à causa dos jovens e velhinhos do pequeno povoado. Como seria bom se os governos bebessem da mesma água para cuidar da educação e da saúde dos cidadãos…

vida mansa

Na pracinha de Serra do Machado: eita vida mansa…

freira no abrigo de idosos

A freirinha portuguesa na sala de estar do abrigo de velhos

principios escolares

A sinonímia perfeita para o entendimento entre as pessoas

a métrica da leitura: quanto mais livros lidos, mais alto

Quanto mais livros lidos, mais perto das nuvens…

os potes
Havia água de chuva nos potes do arco-íris…

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