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Ahaa…estas fotos ninguém tem! Pense num carnaval tranqüilo em Olinda. Era 1976 e a gente achava que a cidade era só nossa, dos moradores. O prefeito era Germano Coelho e uma turma de artistas, intelectuais, estudantes, jornalistas, agitadores, engajados, pirados e etc resolveu fazer um carnaval diferente.

A decoração da cidade foi feita por voluntários. Os blocos de classe média, em especial o Siri na Lata (“dos jornalistas”) e o “Eu Acho É Pouco” (“dos arquitetos”), fizeram a sua grande estréia no carnaval de rua. Ícones dos debutantes: o dragão artesanal dos arquitetos e o glorioso estandarte malamanhado do Siri. As fotos são raras.

“Se fugir, se fugir o siri na lata…”

“Eu acho é pouco, eu quero é mais…”

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O tamborim de Noblat na preparação do Siri na Lata, Carnaval de Olinda, 1976

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O primeiro estandarte do Siri

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Cavani Rosas “nem-aí” pro bloco (Noblat e companhia ao fundo)

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A decoração de Alcino, um dos artistas voluntários

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Costurando o dragão do EuAchoÉPouco na Ribeira

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A orquestra chegou! Agora tem diretoria…

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Sônia e Ivaldevan supervisionam a folia

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O EuAchoÉPouco quase chegando no BêbadoeoEquilibrista

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Não é que, pra revisitar o passado, a gente tenha que lançar mão do preto-e-branco, à maneira dos filmes antigos. Mas não é que fica mais charmoso? Queiram ou não, haverão de convir que passa um “clima”, uma nostalgia, um humphrey-bogart-em-casablanca…

Pois não foi nada disso que me fez postar aqui algumas fotos em preto-e-branco, que tirei eu próprio (fotágrafo amador, quer dizer, apaixonado pela Nikkormat duramente conquistada em viagem à zona franca de Manaus) nos anos 70. Foi algo mais prosaico e não menos apaixonante: resolvi digitalizar os meus negativos, centenas deles, laboriosamente revelados e copiados por mim mesmo em laboratórios caseiros de Olinda.

Resultado: descobri maravilhado que muito do que fotografei nunca havia sido copiado, por razões também prosaicas — falta de dinheiro na vida de estudante. Eu copiava algumas no papel Kodak caríssimo, só aquelas que tinham um jeitão na câmara escura do laboratório de que iam dar certo. Era muito calor, medo de escorpião, cheiro de revelador por todo lado, tinha que sair rápido, demorava a secar, tudo isso.

Resolvi então criar uma outra seção aqui no blog. Estou chamando de “passado digital”, e agora vocês sabem por quê. Vou começar postando uma série de fotos feitas com a teleobjetiva de 135 mm, a minha preferida para retratos, para “invasão de intimidade” dos artistas em pleno trabalho. Hoje me admiro quão sem-vergonha estava eu lá, em tudo que era show musical nos anos 70, de máquina em punho, me acocorando por ali na frente do palco, junto com os profissionais.

O resultado eu ofereço à minha geração, aos que “dormiram no sleeping-bag” e conseguiram sonhar, aos que estão na metade da vida (os niemeyers que já passaram dos 50…), pra matar a saudade da música que nos aliviava a dor de viver a atmosfera opressiva dos anos 70 no Recife/Olinda.

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Alceu Valença, 76 (obg, chicosaboya!), Praça do Carmo, Olinda

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Cartola, Teatro do Parque, Show “6 e meia”, entre 76 e 78

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Clementina de Jesus, mesmo show com Cartola

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Paulinho da Viola, talvez na mesma série do glorioso “6 e meia”
no Teatro do Parque, entre 76 e 78

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César Faria (in memoriam), pai de Paulinho da Viola; dedico a Paulinho
esta foto (belo DVD MTV Acústico!)

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Fagner, Praça do Carmo, 76 (não, nada a ver com o aniversário do Che…)

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Gal e Gil, Doces Bárbaros, Geraldão, 77?

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Hermeto Pascoal, 76/78, Teatro do Parque ou Sta Isabel?

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Macalé, DCE da rua do Hospício, 75/76 (a cultura em
tempo de opressão)

photo_102607_002.jpgPense num pesadelo: lá vinha eu na minha parati-velha-de-guerra quando me deparei com a cena cotidiana. Na traseira do ônibus, o outbus (engenhosa mídia externa que já supera em poder de mercado os outdoors tradicionais) proclamava: moto de tantas cilindradas, marca chinesa, em 38 prestações de 158 reais…

Meu deus do céu! Do jeito que já está, com os nossos ziguezagueantes motoqueiros, isso vai ficar uma “pequim” de motos… E imagine mais esta: em 2007, batemos todos os recordes na nossa indústria automobilística, com mais 2,5 milhões de carros nas ruas. Isso tudo por causa do crédito mais barato.

Nada contra o barateamento do crédito — o capitalismo está chegando, finalmente, ao país. Nada contra o fenômeno da classe média emergente (já me posicionei aqui sobre isso), com o aumento do poder aquisitivo da classe C/D, comprando tudo que caiba na prestação mensal, de moto a DVD, passando pelo computador, que neste Natal é o segundo objeto do desejo dos recifenses, só perdendo para roupa nova (!!), segundo pesquisa publicada nos jornais locais.

O que me assombra — planejador urbano dos anos 70, quando a preocupação com planejamento das cidades era parte da política pública, BNH, Conselho Nacional de Política Urbana, planejamento metropolitano, planejamento de transportes com engenheiros competentes, cursos de mestrado de planejamento urbano nas melhores universidades etc. — é que não há NENHUMA preocupação sistemática em preparar as nossas cidades para um novo ciclo de crescimento. Se o país crescer a 5% ao ano, as nossas cidades param, literalmente, em engarrafamentos monumentais costurados por motoqueiros-acrobatas (na melhor hipótese: é cada vez maior o número de assaltantes e matadores profissionais disfarçados de motoqueiros).

Fazer o quê? Primeiro, é um direito do cidadão subir na vida, comprar as motos, o carrinho mil. E encher as ruas, públicas, por definição. Depois, o que provoca a nova onda de consumo é o mesmo fenômeno econômico que faz crescer a arrecadação de impostos pelo governo. Então? Falta governo e vai faltar mais pra botar ordem no caos urbano que se aproxima, para replanejar a alocação de recursos para investimentos e manutenção das cidades. Isso exige política nacional, articulada com os níveis locais. Não está na agenda pública tratar disso.

E o pior é que não houve renovação de competência na máquina pública para tratar do desafio do transporte metropolitano.

Valei-nos, São Cristóvão, protetor dos motoristas!

jogo-do-bicho-conectado.jpgPois não é que o bicho entrou online mais rápido do que o governo? Vejam as qualidades locacionais e tecnológicas deste ponto na Boa Vista, Recife: o terminal é wireless (!!), um orelhão (alguém ainda usa? é um back-up pra operação wireless, sem dúvida), o fiteiro (coxinha e fanta pro almoço da “colaboradora”; deve guardar a banca e o poster de noite; é segurança pra mocinha também), o poste providencial, sombra da farta arborização, lugar de passagem de pedestres entre a Visconde de Suassuna e a Conde da Boa Vista (alguém já viu, em algum lugar do mundo, uma calçada mais movimentada do que a da Conde da Boa Vista entre a Gervásio Pires e a rua do Hospício?).

Ah quem nos dera um posto de saúde online, que fosse buscar a ficha do cidadão e seus filhos (carteira de vacinação, prontuário de doenças crônicas, remédios controlados etc.) num servidor da secretaria de saúde através de uma rede sem fio que também incluísse a escola pública da vizinhança… Quem já teve a oportunidade de ver plotados esses equipamentos em mapas urbanos sabe que é muito simples resolver o problema de conectividade deles com a tecnologia WiMAX, que também poderia incluir as lan-houses, numa economia de aglomeração que seria boa pra todo mundo.

Vai ver isso também traz vantagens pro jogo do bicho… SERÁ? Aí eles financiam… Eita, vamos ter que pedir arrego aos “homes” pra resolver esse problema do qual o FUST (ver post sobre lan-houses, abaixo), com 5 bilhões entesourados, nem chegou perto?

ps.: vocês perceberam que este post está em uma categoria nova, aí na coluna da direita — “instantâneos celulares”? é o que o nome diz: vou postar neste grupo a partir de hoje aquelas fotos que a gente faz com o celular (tipo essa aí de cima), de coisas da gente, cenas de rua, curiosidades etc.

jarbas-vasconcelos-e-ulysses-guimaraes.jpgTentei encontrar uma forma de expressar a minha revolta com os acontecimentos recentes no Senado, em particular com a patifaria cometida pelo presidente renan contra os Senadores Jarbas e Simon. Noblat já fez isso por mim, de forma exemplar, na escolha dos adjetivos (vejam aqui). Com a catarse feita, já estou na volta, para recuperar o fôlego e seguir em frente. Me lembrei então de um momento marcante na minha vida, aquele em que me tornei formalmente um pernambucano de papel passado, com muito orgulho, pela Assembléia Legislativa. Aí achei que deveria reproduzir aqui o que falei naquele dia 30 de março de 2005. Vocês vão entender lendo: é que aqui em Pernambuco é diferente — política é profissão de fé, é compromisso ético de homens de bem, com raras exceções. Era essa o emoção que me guiava naquele momento, é esse o sentimento solidário ao Senador Jarbas que me faz transcrever, para a leitura dos amigos, o que disse naquele dia.

Permitam-me começar estas palavras pelo roteiro nobre do agradecimento. Sou especialmente grato à iniciativa do jovem e competente líder do Governo, Deputado Bruno Araújo, e estendo o agradecimento aos nobres deputados que compõem a Casa Joaquim Nabuco, pela honraria que me concedem. Agradeço, ainda, ao Presidente Deputado Romário Dias, por nos convencer, a mim, Terezina Nunes e José Arlindo, esses também agraciados pelo mesmo título, que não poderíamos fazer (como ingenuamente pretendíamos) uma festa só. Este é um momento único, que merece ser vivido por cada um de nós, segundo a segundo de emoção solitária no púlpito desta Casa, sob a observação atenta de amigos. Sábia decisão, Presidente.

Busquei, na modéstia da minha reflexão, as razões dos senhores deputados de me fazerem pernambucano de papel passado. Sim, porque de coração já me sentia há muito tempo, nos meus 35 anos de Pernambuco. Quem ficaria imune, depois de uma superexposição dessas à diversidade cultural, deste Estado? Quem, em sã consciência, não se submeteria aos seus encantos, à luz hipnótica dos seus rios (o conterrâneo João Câmara que nos pinte)? Ou à tecitura poética das suas ruas (Manuel Bandeira que nos diga)? Ou ao calibre dos seus intelectuais (Gilberto Freyre que nos fale)? Ou à representatividade dos seus políticos (dignos, na sua imensa maioria)?

Resolvi então desconstruir a minha trajetória em Pernambuco e, ao fazê-lo, reencontrei de memória muitos dos que estão aqui, “intimados” na minha convocação para me ajudarem a recompor emocionalmente o cidadão que hoje se constitui. Fiz um mergulho profundo no tempo/espaço dos meus 35 anos neste Estado. Volto para tomar fôlego, na presença de vocês, e fico feliz por poder fitar cada um dos que fazem parte do rico mosaico que compusemos juntos por Pernambuco.

Anos 70. Revisito a Escola de Engenharia da UFPE. Ouço vozes de amigos nos seus longos corredores. Paro na cantina, sigo para o DA. Estamos todos na febril atividade das lutas pelas liberdades democráticas. Hoje vamos virar noite, numa das repúblicas estudantis, discutindo um ou dois artigos, a serem publicados no jornalzinho do diretório (A Voz). Amanhã tem “Parangolé”, o festival de música e artes dos DAs da UFPE – a cultura, nos escuridão do arbítrio, é revolucionária.

Residências estudantis da Boa Vista: o vasto território do romantismo, o medo da repressão (quem, na nossa geração, que viu amigos serem presos, não se lembra do terror que sentíamos das camionetes Veraneio?). Acampamentos nas praias: bons tempos aqueles em que podíamos dormir ao relento nas praias de Pernambuco. Bolacha creme-crack, leite ninho, água de coco – e muita conversa mansa, altas filosofias.

O mestrado em desenvolvimento urbano da UFPE, decisão de aprimorar a visão humanista, sociológica, para entrar no serviço público. A volta à Paraíba, Campina Grande, para fazer projetos urbanos. O Recife mandou nos chamar: Gustavo Krause, Luiz Otávio, Paulo Roberto. UrbRecife. A minha casa desde 1980. Tempos ainda difíceis, decisão corajosa – éramos “de oposição”, que significava outra coisa naqueles tempos.

Sindicato dos Engenheiros: a luta pelas Diretas Já. O Clube de Engenharia: a figura emblemática de Jaime Gusmão. O Movimento Muda Nordeste: a nova Sudene de Dra. Tânia Bacelar. A memorável campanha de 85 para a Prefeitura do Recife: “Jarbas é cara do povo, ele é o que é.” O governo de aliança que fundou o “modo jarbista de governar”. “A Esperança está de volta.” O modo arraesista de governar. Fidem, Seplan, a Agência de Desenvolvimento. O doutorado na Unicamp. Governo Jarbas, 93: de volta, desta vez para a Emprel. A Rede Cidadão, o SoftexRecife. A informática veio para ficar.

Jarbas 98: a política de alianças para mudar Pernambuco. O governo de 8 anos, continuidade rara em Pernambuco. Na realidade, vivemos o fim de um ciclo longo de 15 anos: a contribuição dos jarbistas para o desenvolvimento do Estado. A política de ciência, tecnologia e meio ambiente – vejo agradecido o comparecimento da minha equipe. O Porto Digital – vejo aqui muitas das empresa embarcadas.

Senhores deputados:

O ato que realizam, ao me entregarem o título que tanto me honra, confere a essa trajetória brevemente traçada um duplo significado. Primeiro, pela sua diversificação, o conjunto de atividades das quais participamos juntos, muitos de vocês que reencontro hoje, explica muito bem o momento que atravessamos em Pernambuco. Tenho repetido que Pernambuco está no ponto – pronto para crescer. E tenho orgulho de ter participado como coadjuvante da construção de viabilidade deste instante, que começou em 1985, na Prefeitura do Recife, sob a liderança de Jarbas Vasconcelos, completando-se com esta obra de engenharia política para governar Pernambuco. Segundo, o que me honra ainda mais particularmente, este ato também representa uma oportunidade para me dirigir à minha família, declarando de público, em momento tão solene, o que representam para mim.

Dona Maria Stela, Dr Edmilson: o seu filho de 17 anos, que partiu da rodoviária de Patos com uma educação do Colégio Diocesano que o orgulha, abraçando uma coleção de discos de 45 rotações com aulas de inglês que lhe seriam muito úties e com um coração gemendo de saudades, não ficou rico de coisas materiais, mas consegue pagar o seguro-saúde, a energia, a internet e a escola dos meninos. Sendo homem público, neste país, isso é mérito, que devo à educação que vocês me deram, meu pai e minha mãe. Meu maior patrimônio é imaterial, e está em boa parte representado nesta Assembléia, pelas pessoas que vieram e pelo que significam para mim. Tenho ainda um quintal em Olinda, de onde colhi flores de romeu-e-julieta e ramos de palmeira, filhotes das mesmas plantas cuja seiva mantém vivas as recordações da nossa casa na Bossuet Wanderley, em Patos, e da casa da minha avó Flora, em João Pessoa. Recebam do meu filho Daniel este arranjo como prova do meu carinho por vocês e pelos meus irmãos.

À minha mulher, amiga e compaheira Luci: sem você ao meu lado, eu não teria chegado até aqui. “Começaria tudo outra vez, se preciso fosse, meu amor”.

Aos meus filhos Lucas e Daniel: se tudo o que presenciam neste momento puder lhes ser útil apenas como lembrança, já estarei plenamente satisfeito com a minha nova condição de pernambucano, como vocês.

Aos meus amigos e colegas de Governo: a companhia de cada um de vocês nesta construção coletiva por Pernambuco é o que me faz colocar com orgulho a bandeirinha, todos os dias, na lapela do paletó.

Finalmente, ao meu Estado de adoção e que agora formalmente me adota, renovo agradecido o compromisso de trabalhar por um futuro melhor para todos os pernambucanos.

Muito obrigado.

Recife, 30 de março de 2005

Cláudio Marinho

Uma notícia na Newsweek de 24/09/2007 me atraiu a atenção: nós fomos chamados pelo artigo de “schmooze nation”, o “país dos conversadores”. Quer dizer: a turma aqui gosta mesmo é de se encontrar na internet, de um papo no orkut, de uma conversinha no MSN. Aquela conversa de bar, de happy-hour, do cafezinho se transferiu inteira pra internet.

Aí não deu outra: dos 44 milhões de usuários do orkut (o site de comunidades na web), mais da metade (57%) são do Brasil. A muito grosso modo, é como se todo mundo que tem um email por aqui também tivesse uma conta no orkut (só 11 milhões de lares têm acesso à internet). E a maior parte desse pessoal é jovem — só em Pernambuco, 34% dos jovens entre 15 e 24 anos acessam a web (pesquisa do IPESPE, julho de 2007). Isso é impressionante, já que menos de 10% dos casas no Estado têm computadores ligados à internet.

E sabem onde a meninada está indo pra “entrar” na internet? Eles estão indo pras lan-houses — lojinhas com computadores em rede nos bairros populares das grandes cidades e nas pequenas cidades do interior, onde pagam em média 1 real por hora. É um negócio auto-sustentável, senão não existiriam tantas, e sem nenhuma interferência do setor público (talvez por isso mesmo proliferaram tão rápido…).

Quer dizer, se o Brasil quiser mesmo fazer uma política massiva de inclusão digital, já tem um caminho: a lan-house. Sonho com o dia em que o BNDES, com o lado “S” da sua política e com a convicção de que também faz política econômica, decida financiar a implantação de 100 mil lan-houses por todo o Brasil, cada uma com 10 computadores, abertas 12 horas por dia. Já pensaram no que isso poderia causar? Mobilizaria as nossas fábricas de PCs, aceleraria a inclusão de milhões de jovens no mundo da internet, poderia estar associado a programas educacionais, de apoio a pequenas empresas etc.

Por que não iniciar com um projeto-piloto, para testar a eficácia do investimento em milhares de pequenos empreendedores que já provaram a sua competência e criaram um mercado insuspeitado? Poderia ser usada, por exemplo, a experiência do Banco do Nordeste com o crédito ao pequeno produtor, já que o BN é agente financeiro do BNDES.

Não podemos mais perder tempo com programas de inclusão digital que não ganham escala num país de dimensões continentais como o Brasil. O governo federal sozinho já demonstrou que não é capaz disso. Até hoje, 5 anos depois da aprovação, não liberou um tostão do FUST, fundo criado para universalização das comunicações (!!). Já são mais de 5 bilhões de reais contingenciados, o que daria para ter financiado umas 200 mil lan-houses, promovendo a inclusão digital de mais de 20 milhões de jovens.

Preguiça de domingo ou falta da disciplina do padre Assis (ver aqui o que quer dizer isso)? Acho que os dois, pois são direitos inalienáveis dos domigos de setembro em Olinda. Resolvi então fazer uma pesquisa arqueológica nos discos rígidos da internet para reeditar este texto, que postei logo depois da viagem à China em junho deste ano (para os mais curiosos, clicar na coluna da direita na categoria “viagem à china”). “Arqueológica”? Mas claro: o meu filho Lucas me disse que uma notícia na internet fica velha em 32 horas — tempo suficiente para ser vista por 50% de TODOS os leitores que vai ter na vida eterna que conquista com a primeira postagem. Então resolvi “aumentar” a vida eterna deste post, do qual gostei particularmente. La vai:

O meu amigo Ennio já postou aqui uma série de fotos muito ilustrativa da “nova mulher” chinesa. Até me lembro da situação em que foram tiradas muitas delas: estávamos fora de um shopping central de Shanghai (diz-se “shan-rai”) por uns bons minutos, enquanto esperávamos uma carona, e ele resolveu dar uma de voyeur digital com a sua recém-adquirida Nikon. Ficou um ensaio-síntese interessante, amostral, da juventude chinesa metropolitana.

Agora, resolvi completar o trabalho de Ennio com uma outra observação. Vimos em alguns lugares exemplares da pintura moderna chinesa e um detalhe me chamou atenção, só agora me dando conta: sinto com se houvesse um movimento pictórico de recuperação do doçura feminina, antes ocultada pelo “realismo socialista” da velha pintura maoísta. Vejam abaixo:

a nova mulher na pintura

É como se houvesse uma busca do detalhe antigo, do bracelete, da roupa, da languidez do olhar, da pintura do rosto, do abanico tradicional. Mais importante ainda: a iluminação. Quase que invariavelmente um raio de luz forte realça o rosto da modelo, trazendo à tona o indivíduo, antes submerso na pintura grupal, coletiva.