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Archive for 30 de junho de 2007

telhado-azul.jpgAntes de viajar para a China, fiz umas incursões no Google Earth sobre Beijing. Postei aqui um pergunta, meio de brincadeira: será que Beijing é azul? Haviam me impressionado os telhados azuis de Pequim no Google. Chegando lá, fui descobrir o que eu já deveria ter suspeitado com menos romantismo — sim, de fato, como vemos na fotografia ao lado, algum fornecedor de cobertas azuis (em alumínio?) domina o mercado de telhados industriais. Agora, volto ao tema das metáforas com uma preocupação: será que está tudo azul mesmo na China, como tem sido a predominância dos nossos posts sinceramente impactados pelo que vimos das transformações na sociedade chinesa?

Claro que não se faz omelete sem quebrar ovos, como diria o outro. E um dos fenômenos mais comentados na imprensa internancional, como efeito perverso da rapidez das mudanças na China, é o das migrações rural-urbanas e das condições de vida desses migrantes. Estimativas dão conta de mais de 140 milhões de chineses que teriam mudado o domicílio de rural para urbano em pouco mais de uma década. Isso é como se 80% dos brasileiros tivessem se mudado do campo para as cidades em 10 anos (aliás, o que nos diferencia da sociedade chinesa de forma importante, entre outras coisas, é que já somos mais de 85% urbanos, e eles pouco mais de 30%).

Uma matéria recente, na The Economist de 7 de junho,  traz eloqüente relato sobre o drama da habitação para os migrantes rurais. Em notícia oficial de 2005, estimava-se que mais de 34.000 habitações das famosas “vilas urbanas” de Beijing seriam demolidas, para dar lugar aos equipamentos dos Jogos Olímpicos de 2008. O que é pior: essas vilas, através de sublocações de cômodos minúsculos e insalubres, são a única opção de moradia mais em conta para os migrantes que chegam à capital justamente atraídos pelos empregos na construção civil.

Andei buscando, entre as minhas fotos, aquelas que mais pudessem expressar um sentimento solidário com esses migrantes, com esse povo em movimento, milhões de chineses que contróem uma outra China, em mais um movimento pendular de abertura para o resto do mundo depois de um outro ciclo de fechamento, entre tantos de uma longa história de mais de 3.500 anos (7 vezes maior do que a história escrita do Brasil!). Aí encontrei três. A primeira, logo na nossa chegada no aeroporto de Beijing, tirada da janela do ônibus, me trouxe o sentimento de ternura pelo senhor de cócoras, observando atônito a movimentação da delegação pernambucana — a posição de descanso em cócoras tão rural, tão China antiga, tão sertanejo-nordestina. A segunda, num outro extremo, numa livraria de livros importados de um shopping de Shanghai, também retrata um jovem de cócoras — so que desta vez lendo um livro. E a terceira, uma síntese: um casal jovem num ônibus-leito de 2 andares (!!) entre Shanghai e Ningbo, numa parada de meio de estrada, troca comigo “espelhinhos” com a câmera do celular e o “v” da vitória. Que vençam mais esse desafio, amigos, com a ajuda do Tao, Confúcio e Buda.

cocoras-1.jpg

Foto 1: observando os brasileiros, tranquilamente…

cocoras 2

Foto 2: nem aí para os circunstantes…

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Foto 3: boa sorte, amigos…

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